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Comparando troncos SIP com troncos E1


SIP versus E1

Há muito tempo que nos EUA o mercado de SIP trunking cresce a passos largos. De acordo com pesquisa do IHS os troncos SIP chegarão à 53 milhões até 2021. Neste artigo eu vou mostrar as vantagens de um tronco SIP comparado à um tronco E1, e explicar porque você deveria pedir a sua operadora circuitos neste padrão.

Troncos SIP não são iguais aos antigos circuitos VoIP, eles são entregues em circuitos dedicados com baixa latência, jitter e perda de pacotes.  O endereçamento IP é ponto a ponto e são entregues em rede privada (LAN to LAN). A qualidade da voz é exatamente a mesma de um circuito E1 e eles são entregues no mesmo tipo de codificação digital conhecido como PCM lei A. (PCMA).

Na camada física, um tronco SIP é entregue em um circuito de dados, normalmente fibra óptica, no padrão Ethernet e cada chamada simultânea ocupa cerca de 100 Kbps.  Na área de atacado, chegamos a ver circuitos de 400 Mbps com capacidade de 4000 chamadas simultâneas. Assim, um único tronco SIP como esse, pode substituir até 133 E1s.  Pense só na quantidade de cabos e consumo de energia que isto reduz. Aqueles com muitos equipamentos E1 podem acabar com um “mico” na mão quando as operadoras começarem a entregar circuitos de voz em SIP.

Principais impulsionadores dos troncos SIP

Abaixo eu cito alguns dos principais impulsos em direção ao uso de troncos SIP.

  1. Vendas de PABX na nuvem – Centenas de provedores estão agora no mercado de voz hospedada na nuvem.  Na nuvem não é possível usar E1.

  2. Utilização de números nacionais – Através do SIP empresas podem alocar números em todo o Brasil. É  o caso dos prefixados por 4 que tem o mesmo número em todas as capitais.

  3. Integração de Sistemas – É muito comum as empresas possuírem aplicações integradas com o sistema de telefonia. É o caso do Skype for Business que usa um tronco SIP para se comunicar com a telefonia convencional.

  4. Redução do custo do hardware em até 10 vezes – Quando falamos em um circuito SIP-I com 400 mbps e 4000 chamadas simultâneas, isto equivale à um gateway SS7 de mais de 128 E1s. Este tipo de circuito SIP-I pode ser recebido em um servidor low-end, disponível em pronta entrega pelos principais fabricantes de hardware.

  5. Comunicações Unificadas – As comunicações unificadas tem grande papel no aumento da demanda de troncos SIP.  Mensageria Unificada, Serviço de Instant Messaging e Chat, Presença, Convergência fixo-móvel, Conferência, Número de alcance único (toca no escritório, em casa e no smartphone ao mesmo tempo) e números fora de área.

  6. Colaboração e WebRTC na nuvem- A colaboração em tempo real está aumentando. Aplicativos como Slack, UberConference entre outros usam WebRTC e SIP aumentando o nível de colaboração nas empresas.

  7. Virtualização  - Não é possível virtualizar um tronco E1, mas é possível receber troncos SIP em máquinas virtualizadas.

  8. Interconexão – Já tínhamos visto isto no ano passado no mercado de atacado e este ano começamos finalmente a ver interconexões entregues em SIP-I. Isto vai reduzir em muito a necessidade de gateways E1 SS7 e baratear o investimento para abrir uma operadora STFC.

Lidando com as objeções

É muito comum os clientes terem objeções aos troncos SIP baseadas em preconceitos e casos de uso de VoIP com baixa qualidade. Abaixo vou tratar algumas delas.

1 – Um circuito E1 tem qualidade de voz melhor que um circuito SIP.  Não é verdade, um tronco SIP quando entregue por uma operadora com licença STFC (Serviço de Telefonia Fixa Comutada) em um circuito dedicado ou com QoS tem a mesma qualidade de voz que um circuito E1. Em alguns casos até melhor porque um circuito SIP pode usar voz em alta definição (G.722) o que não é possível em um circuito E1.

2 – A sinalização SIP é mais pobre que a sinalização E1.  Não é verdade, os códigos de retorno do SIP cobrem todos os casos comuns para se fazer uma classificação adequada. Além disso as mensagens de erro de rede pública pode ser carregadas no campo Reason usando o padrão Q.850, o mesmo usado em circuitos E1. Em um circuito SIP-I além do código SIP e do código Q.850 você tem todos os dados presentes da sinalização SS7 que pode, por exemplo,  ajudar na classificação de chamadas atendidas com mensagem onde no SS7 vem um bit descrevendo que a chamada não deve ser cobrada (No-Charge). Em circuitos SIP internos é possível incluir os códigos Q.850 simplesmente configurando o gateway. Até um Asterisk pode ser configurado para passar códigos Q.850. No próximo post eu vou ensinar como classificar chamadas usando SIP.

3 – SIP não é adequado para Call Centers. Pelo contrário, o SIP é mais rápido e pode carregar mais informações que o E1. A grande maioria dos circuitos E1 no Brasil é do tipo MFC/R2. Isto significa que ele leva em muitos casos mais de 7 segundos apenas para enviar a discagem. O SIP é instantâneo. Isto faz uma enorme diferença de produtividade.

4 – As Operadoras não entregam SIP.  Posso dizer com certeza que as principais, Vivo, Embratel, Algar e Tim entregam troncos SIP.  Não tenho nenhum registro de circuitos SIP entregues pela Oi, mas isto é apenas uma questão de tempo.  Em cada estado existem diversas operadoras STFC que provêem circuitos SIP e podem portar os números de operadoras que porventura não forneçam. A lista completa das operadoras STFC pode ser encontrada neste link.

A situação esquisita dos CPEs

CPE vem do inglês “Customer Premises Equipment” é o equipamento que vai na casa do cliente para permitir a interconexão. O preconceito e a falta de conhecimento em relação à SIP ainda é tão grande que algumas operadoras entregam um tronco SIP com um gateway E1 na ponta. Isto aumenta o custo da operadora que tem de bancar o dispositivo e do cliente que tem de comprar uma interface E1. Cabe ressaltar, nenhuma central moderna como Cisco, Avaya, Skype for Business, Asterisk, FreeSwitch, Snep, Issabel entre tantas outras precisa de uma interface E1 para se ligar à um tronco SIP.  Isto só aumenta o custo tanto para cliente quanto fornecedor sem agregar absolutamente nada.

Comparativo

SIP E1-R2 E1-ISDN
Discagem rápida em bloco Sim Não Sim
Códigos de retorno Q.850 Sim Não Sim
Número mínimo de canais 1 15 15
Velocidade do Circuito 1/10/100/1000 2 2
Codecs G.711, G729, G722 G.711 G.711
Cabeamento 1 UTP p/ N canais 2 coaxiais p/ 30 1 UTP p/ 30
Virtualização Sim Não Não
Redundância com VRRP ou Linux HA Sim Requer switch E1 Requer Switch E1
Pode ser usado em Nuvem Sim Não Não
Suporte a aplicações WebRTC Sim Não Não
Roda em SmartPhone Sim Não Não

Conclusão

O futuro da telefonia está no uso de padrões abertos e na migração de hardware para software. A voz será cada vez mais uma aplicação dentro de uma rede de dados. A capacidade de execução em nuvem, virtualização, integração com WebRTC e suporte a smartphones tornam o SIP, o protocolo de telecomunicações do futuro.

A SipPulse empresa especializada no desenvolvimento de aplicações SIP, fornece softswitches que permitem às operadoras de telefonia oferecer troncos SIP aos seus clientes. Na ponta do consumidor, nossos SBCs (Session Border Controllers) permitem uma conexão segura e eficaz a um tronco SIP.

A persistência do uso de E1 em telecomunicações ainda se dá devido a falta de investimento de algumas operadoras. Elas preferem oferecer o que já está disponível e que já foi investido.  Na próxima vez que negociar um canal, peça um tronco SIP e tenha mais qualidade gastando menos.


Categorias: Plataforma VoIP, Produtos e Soluções, SIP-I

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